Greve na Bacia de Campos avança e chega a cerca de 30 unidades offshore; audiência acontece nesta quarta

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A greve dos trabalhadores de manutenção e montagem industrial na Bacia de Campos ganhou novas adesões desde o início da paralisação, na sexta-feira (18), e agora envolve, segundo o sindicato da categoria, cerca de 30 unidades offshore. O movimento também avançou em terra, com registros de adesão no Terminal de Cabiúnas e no Parque de Tubos, em Macaé.

A paralisação, que ocorre por tempo indeterminado, envolve trabalhadores representados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Pintura Industrial, Construção Civil e do Mobiliário (SINTPICC) em Macaé, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Quissamã e Carapebus, além de profissionais que atuam nas unidades marítimas da Bacia de Campos.

O movimento acontece em meio ao impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2027. O caso chegou ao Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), que marcou para esta quarta-feira (23), às 15h, uma audiência de conciliação entre o sindicato dos trabalhadores e o setor patronal.

A audiência será realizada presencialmente na sede do TRT-1, no Centro do Rio de Janeiro. Segundo o despacho judicial divulgado pelo SINTPICC, caso não haja acordo entre as partes, o Tribunal deverá analisar um pedido de tutela de urgência apresentado no processo. Na atualização divulgada na noite desta segunda-feira (21), o SINTPICC informou ter recebido registros de adesão ou paralisação em aproximadamente 30 unidades offshore.

Entre as plataformas e unidades citadas estão P-69, P-31, P-52, PGP-1, UMCP, P-68, P-67, P-62, UMPA, P-25, P-09, P-56, P-70, P-74, P-75, P-77, PNA-1, PCH-1, PCH-2, UMPC, UMAR, P-51, P-43, Sayan Polaris, UMTJ, P-Merluza e ADG, entre outras. O sindicato ressalva que a inclusão de uma unidade na relação não significa necessariamente que toda a operação da plataforma esteja paralisada. O registro indica que houve informação de adesão ou paralisação de trabalhadores ligados ao movimento.

Segundo o SINTPICC, foram registrados novos movimentos de adesão entre trabalhadores vinculados às empresas e frentes de trabalho EKTOR, APJ, C3, Servmar e Ocyan. Também houve registros no Terminal de Cabiúnas e no Parque de Tubos, em Macaé. Os dados ainda estão sendo atualizados pelo sindicato conforme novas informações são recebidas e confirmadas.

A ampliação da mobilização ocorre enquanto a categoria aguarda a audiência de conciliação no TRT. O encontro pode abrir espaço para uma nova tentativa de acordo entre trabalhadores e empresas.

O que está em negociação

A disputa não envolve apenas o reajuste dos salários. Entre os principais pontos reivindicados pelo sindicato estão 15% de reajuste nos pisos salariais, aumento de 15% no ticket-refeição, cesta básica de R$ 1 mil e cesta natalina de R$ 500. A proposta patronal prevê 6,5% de reajuste nos pisos, aumento de 10% no ticket-refeição, cesta básica de R$ 786,01 e cesta natalina de R$ 120.

Outro ponto que ganhou destaque nas negociações é a escala dos trabalhadores offshore. O SINTPICC reivindica a implantação da escala 14 por 21, com 14 dias de trabalho embarcado e 21 dias de folga. Também estão na pauta a retirada da coparticipação do plano de saúde, a manutenção da cesta básica por seis meses durante afastamentos e mudanças nas regras relacionadas aos chamados dias de dobra.

Há ainda diferenças nos pisos de duas funções que o setor patronal teria concordado em incluir na Convenção Coletiva. Para Auxiliar Administrativo, o sindicato reivindica R$ 2.400, enquanto a proposta patronal é de R$ 1.997,42. Para Supervisor, os valores são de R$ 6.709 e R$ 5.424,38, respectivamente.

Audiência no TRT pode definir próximos passos

A audiência desta quarta-feira (23) será realizada às 15h, no Fórum Ministro Arnaldo Süssekind, sede do TRT-1, na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio. O objetivo é buscar uma solução consensual para o conflito. Se houver uma proposta durante a audiência, o SINTPICC informou que deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para que os trabalhadores avaliem o resultado das negociações.

Caso não haja acordo, o Tribunal deverá analisar o pedido de tutela de urgência apresentado no processo. Até uma nova deliberação da categoria ou eventual decisão judicial aplicável, a greve permanece por tempo indeterminado. O sindicato também afirma ter recebido relatos de possíveis pressões e constrangimentos contra trabalhadores durante a paralisação. Segundo a entidade, os casos estão sendo analisados individualmente e encaminhados ao setor jurídico. Os relatos ainda não foram confirmados pelas autoridades.   




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